Atividade Física – Patologias

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1 – Diabetes… O que é?

A Diabetes é uma doença crónica cada vez mais frequente na sociedade, sendo que a sua prevalência aumenta progressivamente com a idade, atingindo ambos os sexos. Estima-se que atualmente cerca de 371 milhões de pessoas têm diabetes em todo o mundo, sendo que em Portugal os casos diagnosticados ascendem a 1 milhão de pessoas.

A diabetes é uma doença caracterizada por níveis elevados de açúcar (glucose) no sangue, devido a uma redução parcial ou total da produção da insulina e/ou da sua utilização no organismo. A doença pode não apresentar sintomas imediatos, pelo que muitas pessoas não sabem que têm diabetes.

Existem diferentes tipos de diabetes, sendo os mais comuns:

Diabetes Tipo 1 (Insulinodependente) – DT1: causada por uma reação autoimune em que o sistema de defesa do organismo ataca as células produtoras de insulina, sendo que a razão para isto ocorrer não está totalmente compreendida. As pessoas com diabetes tipo 1 produzem pouca ou mesmo nenhuma insulina. A patologia pode afetar pessoas de qualquer idade, mas usualmente ocorre em crianças e jovens adultos, e o seu tratamento passa por injeções diárias de insulina para controlar os seus níveis de glicose no sangue, um plano alimentar equilibrado e saudável e prática de atividade física.

Diabetes Tipo 2 – DT2: representa aproximadamente 90% de todos os casos de diabetes e é caracterizada pela resistência do organismo à insulina e a sua deficiência relativa. O diagnóstico da diabetes tipo 2 ocorre usualmente depois dos 40 anos, mas pode ocorrer mais cedo, especialmente em populações com elevadas percentagens de casos de obesidade. A DT2 pode não ser detetada durante muitos anos e o diagnóstico é normalmente feito através de complicações que surgem no decorrer da patologia ou acidentalmente pelas análises ao sangue. O aumento da prevalência da DT2 está associado às rápidas mudanças culturais e socias, ao envelhecimento da população, à crescente urbanização, às alterações alimentares, à redução da atividade física e a estilos de vida não saudável, bem como a outros padrões comportamentais.

2 – Como é que as pessoas sabem se têm diabetes?

O desenvolvimento de um ou mais sintomas dos indicados abaixo pode alertar para o facto de estar com diabetes:

  • Sensação contínua de sede;
  • Urinar frequentemente;
  • Perda acentuada de peso;
  • Sensação contínua de fome;
  • Irritabilidade;
  • Dormência nas mãos e pés;
  • Sensação inexplicável de fadiga.

Em alguns casos não existem sintomas ou o seu desenvolvimento é muito lento, o que acontece mais frequentemente no caso das pessoas com diabetes tipo 2, as quais podem viver meses e por vezes anos, sem saber que a têm.

3 – Quem tem (ou poderá ter) diabetes?

Qualquer pessoa pode desenvolver diabetes, porém existem alguns fatores que aumentam o risco da sua incidência, tais como os casos de familiares com a doença, excesso de peso, níveis elevados de colesterol, hipertensão, prática reduzida de atividade física, entre outros. Igualmente, a incidência é mais elevada em pessoas com idade superior a 40 anos e mulheres que desenvolvem diabetes gestacional no período da gravidez.

4- Quais os aspetos mais importantes no tratamento?

As pessoas com Diabetes podem ter uma vida saudável, plena e sem grandes limitações. Para tal é necessário fazerem o tratamento adequado, incluindo aspetos que as pessoas sem diabetes devem também considerar. Os aspetos mais importantes são:

  1. Alimentação – a alimentação das pessoas com diabetes deve ser equilibrada, variada e completa, tal como a alimentação de qualquer outra pessoa saudável, não havendo lugar para alimentos proibidos, mas sim desaconselhados;
  2. Exercício Físico – a prática de atividade física encontra-se associada a uma melhoria da qualidade de vida da pessoa com diabetes, reduzindo o risco de mortalidade cardiovascular associada a esta patologia. Para melhorar o controlo dos níveis de glicemia, recomenda-se a prática de 30 minutos por dia de atividade aeróbica de intensidade moderada;
  3. Educação da Pessoa com Diabetes (autovigilância e autocontrolo) – a promoção da educação da pessoa com diabetes é uma premissa fundamental na terapêutica da diabetes, com o objetivo de o tornar autónomo, sabendo gerir a doença no quotidiano e compreendendo os motivos e as preocupações que o conduziram à diabetes e suas possíveis complicações;

Medicação – algumas pessoas com diabetes conseguem manter a glicemia controlada adotando simplesmente um estilo de vida mais saudável, porém por vezes é necessário uma ajuda adicional de medicamentos. Existem diversas opções que são discutidas entre os profissionais de saúde e a pessoa com diabetes.

5 – Algumas entidades importantes na área

Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal

A luta contra a diabetes em Portugal encontra-se intimamente ligada à Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP). Fundada em 1926 por Ernesto Roma, esta instituição sempre se dedicou a prestar o melhor cuidado e apoio às pessoas com diabetes.

As diversas vertentes da APDP englobam:

  • Vertente Social e Associativa: defendendo os direitos das pessoas com diabetes na sociedade, incentivando o movimento associativo e participando em estruturas nacionais e internacionais.
  • Vertente Clínica: prestando cuidados em diversas áreas – diabetologia, cardiologia, nutrição, pediatria, oftalmologia, podologia, nefrologia, urologia, saúde reprodutiva, psicologia/psiquiatria, cirurgia oftalmológica e hemodiálise.
  • Vertente de Investigação: promovendo o desenvolvimento de estudos de investigação científica básica, clínica e epidemiológica na área da diabetes, apoiada em acordos e protocolos com Universidades e Instituições Científicas.
  • Vertente Formativa: organizando regularmente cursos de formação em diabetes para técnicos de saúde (médicos, enfermeiros, dietistas, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos) e pessoas com diabetes e seus familiares e/ou cuidadores.

A associação apoia neste momento mais de 30.000 pessoas, notando-se a correlação entre o aumento da doença em Portugal e o número de pessoas com diabetes inscritas na APDP, sem nunca descurar os aspetos relacionados com a Formação e Investigação existentes desde o início.

Contactos:

Rua do Salitre, 118-120
1250-203 Lisboa
Telf.: 21 381 61 00

Fax: 21 385 93 71
www.apdp.pt

Email: diabetes@apdp.pt

Fundação Ernesto Roma

Criada em 2005 pela Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), a Fundação Ernesto Roma tem desenvolvido o seu trabalho nas áreas da educação terapêutica de pessoas com diabetes, formação avançada de profissionais de saúde em diversas valências, apoio a instituições de referência nacionais e internacionais que desenvolvem a sua ação de combate à diabetes no terreno e promoção da investigação na ação da luta contra a diabetes.

Contactos:

R. Rodrigo da Fonseca, 1

1250-203 Lisboa
Telf.: 213816178
Fax: 213816107
E-mail: info@fundacaoernestoroma.org

Escola da Diabetes

É na Escola da Diabetes que decorrem algumas das atividades planeadas pela Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) e Fundação Ernesto Roma.

A Escola da Diabetes desenvolve as suas atividades através de programas na área da investigação, formação, assistência e educação terapêutica; na formação de profissionais de saúde e de pessoas com diabetes e os seus familiares e/ou cuidadores; na promoção de reuniões nacionais e internacionais no domínio da Educação Terapêutica do Doente Crónico; e, igualmente, na concretização do Programa Nacional para a Diabetes, desenvolvendo ações de prevenção e de rastreio da diabetes e estabelecendo parcerias com algumas instituições.

No que diz respeito à atividade física, a Escola da Diabetes organiza cursos cujos objetivos são: indicar quais os cuidados a ter antes, durante e após a prática de atividade física, nomeadamente no que diz respeito ao equilíbrio entre essa prática, a medicação e a alimentação. A Escola da Diabetes possui nas suas instalações o Ginásio da APDP, um espaço para o desenvolvimento de atividades de formação na área do exercício físico e dos estilos de vida saudáveis, não só para as pessoas com diabetes, mas também para os técnicos de saúde que as assistem. O Ginásio dispõe de profissionais formados na área do exercício e saúde, os quais se dedicam ao ensino da prática de atividade física adaptada às necessidades e possibilidades de cada indivíduo.

Com o objetivo de aumentar a prática e o gosto pela atividade física, a APDP desenvolve uma atividade quinzenal, denominada “Sábados Desportivos”. Esta atividade decorre no 1º e 3º sábados de cada mês e consiste numa sessão de exercício físico, entre as 10h00 e as 12h00, orientada por um professor de educação física e tendo como destinatários as pessoas com diabetes e acompanhantes. Esta atividade realiza-se no Parque da Quinta das Conchas (Lisboa), sendo o ponto de encontro a porta do parque que fica junto à entrada do metro. O principal objetivo desta atividade passa por promover o exercício físico para todos os utentes, independentemente da sua idade, sexo ou capacidade física, num ambiente familiar e divertido.

Contactos:

Escola da Diabetes

Rua do Sol ao Rato, 11
1250-261 Lisboa
Telf.: +351 21 381 61 30 / 40
Fax: +351 21 385 93 71

Email: cursos@apdp.pt

Ginásio

Funcionamento:

Dias úteis 08h00 – 13h30 /  15h00 – 20h30

Email: ginasio@apdp.pt

6 – Importância da atividade física para a Diabetes

A prática de atividade física regular assume uma grande importância no tratamento da diabetes, com um enorme benefício para o controlo da glicemia, na resistência à insulina e na diminuição do risco desenvolvimento de diversas doenças. A atividade física é recomendada por diversas organizações internacionais como uma estratégia de intervenção e de modificação do estilo de vida, fundamental na prevenção, tratamento e controlo da diabetes e dos problemas associados.

  • Reduz a Insulinorresistência

Quando praticamos atividade física, o nosso organismo fica mais sensível à ação da insulina, potenciando-a, o que permite a redução dos níveis de glicemia. A longo prazo conduz ao melhor controlo da hemoglobina glicada (HbA1C).

  • Melhora o controlo da glicemia

Ao diminuir a glicemia, potencia o melhor funcionamento do organismo e o controlo direto da diabetes. Pode também ajudar a diminuir o peso corporal de uma forma saudável.

  • Aumenta o bem-estar e a autoestima

Complementar ao bom controlo da glicemia, também se encontram outros benefícios, tais como: o aumento da tonicidade muscular, a resistência física e o aumento da agilidade. Com tudo isto, podemos afirmar que a atividade física conduz à melhora da nossa autoestima e bem-estar físico e psicológico.

  • Diminui o risco de doença cardiovascular

Uma prática regular de atividade física contribui para uma melhoria do perfil lipídico (aumento do HDL, bom colesterol), diminuição da pressão arterial, melhoria da coagulação sanguínea e redução dos valores de triglicéridos.

7 – Antes de começar

No caso de ter diabetes é importante

Existem vários fatores a ter em consideração na escolha do tipo de atividade física adequada a cada pessoa, como por exemplo o tempo de evolução da diabetes e a existência ou não de complicações como neuropatia, retinopatia, nefropatia, problemas de circulação periférica, hipertensão arterial, ou problemas cardíacos.

  • Prescrição de exercício físico: deve incluir recomendações sobre o tipo, duração, intensidade, frequência e progressão do exercício. Outros aspetos a ter em conta incluem os interesses da própria pessoa, as suas necessidades, horários e o seu contexto socioeconómico.
  • Nível de Glicemia: antes de iniciar, deve verificar o nível de glicemia para determinar se está em boas condições para praticar atividade física. Se a glicemia for baixa (<100mg/dl) deve ingerir 10-15g de hidratos de carbono (1 peça de fruta ou barra de cereais… )e após 10/15 minutos, verificar novamente este parâmetro. Se pelo contrário estiver demasiado elevada (>250mg/dl) deve verificar a presença de cetonas (cetonemia), pois se estiverem presentes não é aconselhado praticar atividade física. É importante que tenha sempre consigo o medidor de glicemia para verificar o seu nível de glucose no sangue, pacotes de açúcar para uma eventual situação de hipoglicemia e um pequeno lanche, tal como uma fruta ou uma barra de cereais.
  • Batimento cardíaco: sempre que possível, controle os batimentos cardíacos, pois deve respeitar os seguintes limites:
  • Com exercício leve: manter-se entre 50% a 63% da frequência cardíaca máxima.
  • Com exercício moderado: manter-se entre 64% a 76% da frequência cardíaca máxima.

Frequência Cardíaca Máxima ou nível máximo de pulsações por minuto = 220 – a sua idade

8 – Que exercícios no caso de …

Retinopatia

Melhores opções: Caminhada, natação, hidroginástica, bicicleta estática e exercícios aeróbicos de baixo impacto (p.e. Dança).

Desaconselhado: Esforços intensos, atividades em que seja necessário suster a respiração, que provoquem solavancas da cabeça ou manter a mesma baixa, mergulho.

Problemas na circulação periférica

Melhores opções: atividades aquáticas, ciclismo, ioga, tai-chi, treino de força com cargas leves e golfe.

Desaconselhado: Movimentos repetidos ou atividades com alto impacto (p.e. caminhadas demasiado longas e jogging).

Nefropatia

Melhores opções: atividades aeróbicas de baixa intensidade, atividades aquáticas, dança, caminhada e treino de força com cargas leves.

Desaconselhado: Exercícios que possam provocar uma subida da pressão arterial, treino de força com cargas muito elevadas e desportos radicais.

Hipertensão

Melhores opções: exercícios dinâmicos com os braços e as pernas, atividades aquáticas, dança, ioga, tai-chi, caminhada.

Desaconselhado: Treino de força com cargas muito elevadas, atividades em que seja necessário suster a respiração, mergulho, escalada e desportos radicais.

9 – Alterações da Glicemia e Atividade Física

A prática de atividade física pode provocar algumas alterações na glicemia. Antes, durante e após a prática de atividade física é importante evitar hipoglicemias (reduzidos níveis de açúcar no sangue) e hiperglicemias (elevados níveis de açúcar no sangue). Como já referimos várias vezes, é importante a discussão dos objetivos com a equipa de saúde que o acompanha. É aconselhada a verificação da glicemia várias vezes aquando da realização de atividade física, tentando perceber se está a ir ao encontro dos objetivos traçados.

Algumas dicas:

  • Verifique o seu nível de glicemia antes, durante e depois da atividade física;
  • Tenha sempre um pequeno lanche rico em hidratos de carbono de absorção rápida e, igualmente, de absorção lenta, para ser ingerido quando necessário e em diferentes situações;
  • Beba água;
  • Evite o consumo de bebidas alcoólicas antes ou imediatamente a seguir à atividade física, pois pode aumentar o risco de hipoglicemia;
  • Se pretende fazer exercício no final do dia, é possível que o nível de açúcar no sangue diminua durante a noite: é aconselhado, neste caso, fazer um pequeno lanche antes de dormir, para evitar a ocorrência de hipoglicemias durante a noite (p.e. fruta, iogurte magro);

—   Observe cuidadosamente os seus pés, durante e depois da atividade física, e utilize calçado e meias confortáveis;

  • No caso de fazer insulina, evite realizar uma atividade física intensa quando a mesma atinge o seu pico de ação. Deverá fazer a administração da mesma na zona do abdómen pois será o local menos solicitado durante a prática.

10 – E a corrida?

A corrida é uma boa atividade para quase todas as pessoas, incluindo as pessoas que têm diabetes, reforçando a estrutura muscular e proporcionando uma sensação de bem-estar, o que ajuda a aliviar o stress do dia-a-dia.

O agradável clima de Portugal potencia bons dias para a prática deste tipo de atividade física. Portanto, vamos aproveitar, calçar os ténis e… Vamos a Isto!

Deve começar sempre por aconselhar-se com o seu fisioterapeuta, médico, enfermeiro ou profissional de exercício, no sentido de saber se este tipo de atividade é indicado para si, não havendo risco cardiovascular, ortopédico ou outros problemas. Não se esqueça dos seus objetivos e dos seus limites, sendo dois parâmetros essenciais agora que vai iniciar a prática de atividade física regular. Os objetivos são discutidos anteriormente ao início deste processo e não deve ultrapassar os limites acordados entre si e o seu médico e/ou fisioterapeuta para que não tenha problemas consequentes.

11 – Preserve a saúde dos seus ossos

Com o objetivo de prevenir a saúde dos seus ossos é essencial que tenha uma alimentação equilibrada e saudável e que pratique atividade física. Isto torna-se ainda mais importante no caso de ter diabetes pois existe uma relação entre esta patologia e uma menor densidade óssea que o normal, o que aumenta o risco de desenvolvimento de osteoporose e fraturas ósseas.

Uma alimentação rica em Cálcio e Vitamina D juntamente com a prática de atividade física são as respostas para desacelerar o processo de redução da densidade óssea, prevenindo possíveis fraturas. A melhor forma de começar poderá ser por exemplo através de pequenas caminhadas e exercícios com cargas leves.

12 – Criação do seu programa de atividade física

Não existe nenhum plano generalizado para todas as pessoas com diabetes, pois este deve ser específico de acordo com as necessidades de cada indivíduo, baseadas nas suas atividades diárias, interesses e possibilidades físicas. É importante discutir com a equipa médica que acompanha o tratamento da pessoa com diabetes quais os exercícios indicados para a mesma, nunca esquecendo a opinião do profissional de exercício. Os especialistas em conjunto podem criar um programa de atividade física para a pessoa com diabetes que se adequa ao seu quotidiano e às suas necessidades.

Um dos aspetos mais importantes diz respeito à escolha da atividade física de acordo com o gosto e interesse individual. Seja caminhada, corrida, bicicleta ou natação, todas são boas opções. Mesmo no seu quotidiano poderá aproveitar para se mexer um pouco mais, por exemplo: utilizar as escadas ao invés de ir de elevador, estacionar o carro mais longe do local de trabalho ou sair numa paragem de autocarro anterior à sua.

Deverá planear o número de sessões semanais de exercício físico, bem como a intensidade e a duração das mesmas. Para aqueles que não apresentam contraindicações as recomendações gerais mínimas passam por acumular um total semanal de 150 minutos de exercício aeróbio de intensidade moderada (exemplo: caminhada, bicicleta, atividades aquáticas, etc.), que poderá ser fracionada em sessões mínimas de 10 minutos.